Archive for the ‘humor’ Category

Um homem alheio ao seu tempo

15 de maio de 2011

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O Machado nº Zero

1 de maio de 2011

Imagem do dia: pássaros ao entardecer

30 de junho de 2010

Na verdade nem são pássaros e o entardecer é tão fajuto quanto; trata-se de um belo nascer do sol em Capão Bonito…

A morte do menino mais velho do mundo

30 de maio de 2010

O menino mais velho do mundo faleceu ontem; fiquei sabendo hoje, poucas horas antes do enterro. Mas é isso mesmo que se espera dos amigos, que nos avisem da própria morte depois de ocorrida, quando não há mais volta.

João Lafayetti Gomes Barreto tinha lá seus 70 e poucos anos e um humor de quase mil anos, um coração infantil, um riso eloquente e espontâneo.
Ao ver passar o cortejo, ao qual o acaso me fez encontrar, vi a filha Fernanda chorando lágrimas mesmo muito doloridas, era o pai brincalhão que seguia para o inevitável encontro com a Razão do Universo, com a paz que paira acima de tudo, com aquilo que se usa chamar de Deus.

Tenho certeza de que o velho Barretópolis, porque era assim mesmo que me bem pareceu chamá-lo sempre, já está a contar aquelas piadas que só ele mesmo sabia como contar. Na verdade, para ser honesto, as piadas só ficavam engraçadas porque ele não conseguia conter o riso, e fatalmente gargalhava no durante da piada, e era um riso tão contagiante, que para os ouvintes bastavam as gargalhadas do menino. A piada? Que fosse às favas! Queríamos mesmo era ouvi-lo rir, desfraldar as bandeiras duma alegria incontrolável.

Em vida já deixava saudades, mas eram saudades que podiam ser curadas, pensadas, porém, agora, como tudo o que é eterno, é claro que nos deixa a lembrança de uma fértil, útil e importante existência.
O menino mais velho do mundo foi brincar nos campos da Criação, foi correr, laçar, gritar, cantar, escrever, brincar de esconde-esconde, fazer molecagem, puxar as barbas de Deus…
Abaixo uma montagem publicada neste blogue lá pelos idos de agosto/setembro de 2009. Uma amostra grátis da alegria gratuita do querido Barreto.

Um causo caipira

14 de janeiro de 2010

– Nóis inda tamo ino…

– Puis nói d’já fumo i agora tamo vortano!

– Ataiaro por onde?

– Cortemo pur drento.

– Chééé! Pur drento nóis nunca cortemo; tem muita preda! Nóis ataia por riba.

– Nóis corta pur drento, num vai mais discarço, num semo jacu!

– Nóis tamém bamo tudo de carçado, mais é que as preda são munto lisa i arguma das criança pode levá um pialo…

– Intão, nesses causo, é mió segui pela tria batida memo.

– I as coisa lá na cidade, dero certo?

– Malemá…

– Pamóde o quê?

– ‘Móde que ninguém trabaia hodje. Só a Casa Santa i argumas venda tão aberta.

– Ché! I cumé qui oceis fizero?

– Fizemo do jeito qui dava pra fazê, ué!? Fumo inté a casa do home i batemo parma.

– Eles tava na casa ô forum vê o disfile?

– A dona Chiquinha, póve… Num consegue inxergá nem as picumã pur riba do fogão de lenha, i o mais pior é qui só iscuita si a d’jente chega a boca drento da oreia dela i falá bem arto.

– Ocê proseô cum ela?

– Chééé!!! Falei bem arto no pé da oreia dela, izpriquei qui nóis tava lá pamóde lavá as janela, cunforme nói já tinha cunvinado c’o Zé Nacreto.

– I ela, dexô oceis garrá a tarefa de cum fôrcha?

– Craro! Mandô nóis entrá pá drento i serviu um café cum leite beeem gordo i tomém uns pedaço de bolo de fubá. Tava disgranhento de bão!

– Chééé… A comade Chiquinha faiz um bolo de fubá inguar fazia minha finada vó… Caiporento de bão!?

– Nóis tava memo c’o a barriga nas costa; comemo e fumo lavá as janela!

– Mardiçoento rapaiz! Quiria tá lá c’oceis pamóde comê um taio do bolo de fubá!

– Mias num tava. Quem mando ficá bebeno inté munto tarde!

– Num é… Tava na venda do Ponciano, proseano c’os colega, falano da vida aieio… Ocê sabe qui o Ponciano é cheio de nove hora!

– Ocê, lavorento, que é cheio de nó pas costa! Enche o cu de pinga i dispois num consegue acordá antes dos passarinho! Tomô no fióte! Nóis lavemo as janela da muié e tamo vortano cum cinquenta merréis no borso i uns par de pedaço de bolo de fubá no bucho!

– E as janela, dero munto trabaio?

– Ché!? Fizemo a roçada rapidinho, parecia puxirão pá quebrá mio…

– Chééé! Mó de que d’jeito? A casa da muié deve tê umas mir foia de porta i umas mir janela!?

– Premero qui nóis num fumo lavá porta, i dispois, pamóde ocê pará de inchuânça, a dona Chiquinha num é atrasada inguar nóis i mandô  o João Cráudio, um fio do Tonico Morgote qui é afiado dela, buscá lá no Tarzan um petrecho desses moderno, qui sorta um canudo d’água consoante um gaio de pau branco feito de durepóque!