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Pedalar para tentar ficar onde está

10 de dezembro de 2009

PROFISSÕES PERSISTENTESNem sempre se consegue ligar o nome à pessoa, quanto mais à profissão exercida por essa pessoa, mas, no caso do guapiarense Lauro Lima, como dissociá-lo da função?
Lauro, como alerta o sobrenome, é amolador de facas, alicates para tirar cutícula, tesouras e outros instrumentos que exijam fio de corte e rebolo, que é uma pedra redonda e própria para a atividade do afiar; outra definição para amolador, além da de dar fio a esses objetos cortantes citados, é a de importuno, aborrecedor e maçante, o que não cabe ao nosso entrevistado, que permanece sereno – quase obtuso – no ato da amolação.
Dos seus 48 anos de idade, vinte já são dedicados à profissão, a qual, conforme suas palavras “aprendeu exercitando a curiosidade”; hoje em dia, afirma, o mercado não é dos melhores, quase ninguém tem a necessidade de afiar nada, pois tudo pode ser adquirido nas lojas que vendem produtos Made in China ou ao preço de um real. Não se coloca em discussão a qualidade desse material vendido a ¾ de dólar, porém, a clientela tradicional desaparece, como se esmerilhada estivesse sendo a profissão.
Nômade, Lauro conta que fica aproximadamente uma semana em cada cidade da região, vagando por Capão Bonito, Itapeva, Buri, Guapiara, Ribeirão Grande, Ribeirão Branco e outras – apenas São Miguel Arcanjo, por estar situada ‘fora da rota’, não é privilegiada com a visita desse afiador viandante.
Inquirido sobre o que ainda se afia atualmente, disse que são os alicates das manicures que garantem o seu sustento.
CANETA HIDRATANTE: A publicitária, designer e empresária capão-bonitense Daniele Honorato, 27, que mora na capital paulista, onde mantém seus negócios, após estudos de mercado, pesquisas para desenvolvimento do produto e contato com a indústria de cosméticos, lançou recentemente a caneta hidratante para cutículas, pois, segundo a também blogueira Daniele, além de o mercado carecer desse tipo de produto, o ato de tirar a cutícula prejudica a unha e a deixa fragilizada.

Alheio às inovações tecnológicas e imune à síndrome do high-technismo, Lauro Lima se prepara para atender as cidades sob sua jurisdição profissional, levando consigo o cantar característico do rebolo de esmerilhar e de sua bicicleta sem pressa de partir nem hora para chegar…

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