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ENEM 2009: impressões de um ex-tudante

7 de dezembro de 2009

EDUCAÇÃO Participei do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Fui, com a idade do Obama e com a bagagem há quase trinta anos coletada nos assentos – e acentos – escolares.

Bonita a juventude, cheia de vida, de expectativas e respirando o fresco aroma da idade, porém, sob outro aspecto, notei que a maioria deles estava – alguns ‘estavam’ – realizando as provas sem o devido preparo, sem condição de interpretar os textos colocados para as questões, o que vale dizer que o chutômetro no final de semana deve de ter apontado números galácticos, para não cairmos no lugar-comum do ‘estratosférico’.

No domingo conversei com alguns vestibulandos e todos afirmaram ter encontrado dificuldade com os enunciados, uns diziam serem longos demais e outros que os textos estavam muito complexos e de entendimento truncado.

Como já disse, fui fazer as provas com senos, co-senos, tangentes, medianas, ácidos, butanos, propanos, moles, quilos/calorias, planos cartesianos, expressões algébricas e outras entidades do gênero, todos, sem exceção, com quase três décadas de poeira e ferrugem. Será que gostei? Gostei!

Achei as perguntas bem elaboradas; cansativas, sim, mas bem elaboradas e adaptadas a situações reais do cotidiano; uma mescla de imagens, textos – de autores conhecidos e de outros nem tanto –, internet, panfletos, obras de arte, enfim, várias formas de comunicação com o sabatinado. Se não fosse uma prova enfado-medonha, certamente faria sucesso como revista.

Na unidade educacional onde participei do Exame (Escola Estadual Dr. Raul Venturelli, em Capão Bonito/SP), de acordo com alguns professores, aplicadores e agentes de fiscalização, a taxa de ausência atingiu 40%, o que é um número alto se considerarmos a importância do ENEM, mas, que se justifica em função do adiamento da data das provas, inicialmente prevista para os dias 3 e 4 de outubro, ocorrido em função do furto de alguns cadernos com as questões que seriam aplicadas naquela ocasião. Esse adiamento fez com que diversas universidades, alegando falta de tempo hábil para a realização de alguns procedimentos, deixassem de considerar as notas conseguidas no ENEM pelos vestibulandos, o que certamente reduziu o interesse pelo teste neste ano.

Meio Ambiente, cidadania e direitos humanos foram tópicos constantes nos coloridos (amarelo, azul, branco, rosa e cinza – matiz que não sei dizer se é certo chamar de ‘cor’…) cadernos de questões, que foram distribuídos de forma, digamos, estrategicamente aleatória, aos participantes.

O tema escolhido para a tão assustadora redação foi O indivíduo frente à ética nacional; apoiado por imagem do genial octogenário Millôr Fernandes e por outros dois textos curtos discorrendo sobre corrupção e seus afluentes, é correto afirmar que melhor – ou mais oportuno! – tema não poderia ser escolhido, afinal, não vamos nos esquecer que os Arrudas, os Delúbios e outros de igual linhagem cuidam com esmero de nos manter abastecidos diuturnamente com pérolas da mais límpida e transparente ausência de senso ético, para não dizer caráter, moral…

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