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A morte do menino mais velho do mundo

30 de maio de 2010

O menino mais velho do mundo faleceu ontem; fiquei sabendo hoje, poucas horas antes do enterro. Mas é isso mesmo que se espera dos amigos, que nos avisem da própria morte depois de ocorrida, quando não há mais volta.

João Lafayetti Gomes Barreto tinha lá seus 70 e poucos anos e um humor de quase mil anos, um coração infantil, um riso eloquente e espontâneo.
Ao ver passar o cortejo, ao qual o acaso me fez encontrar, vi a filha Fernanda chorando lágrimas mesmo muito doloridas, era o pai brincalhão que seguia para o inevitável encontro com a Razão do Universo, com a paz que paira acima de tudo, com aquilo que se usa chamar de Deus.

Tenho certeza de que o velho Barretópolis, porque era assim mesmo que me bem pareceu chamá-lo sempre, já está a contar aquelas piadas que só ele mesmo sabia como contar. Na verdade, para ser honesto, as piadas só ficavam engraçadas porque ele não conseguia conter o riso, e fatalmente gargalhava no durante da piada, e era um riso tão contagiante, que para os ouvintes bastavam as gargalhadas do menino. A piada? Que fosse às favas! Queríamos mesmo era ouvi-lo rir, desfraldar as bandeiras duma alegria incontrolável.

Em vida já deixava saudades, mas eram saudades que podiam ser curadas, pensadas, porém, agora, como tudo o que é eterno, é claro que nos deixa a lembrança de uma fértil, útil e importante existência.
O menino mais velho do mundo foi brincar nos campos da Criação, foi correr, laçar, gritar, cantar, escrever, brincar de esconde-esconde, fazer molecagem, puxar as barbas de Deus…
Abaixo uma montagem publicada neste blogue lá pelos idos de agosto/setembro de 2009. Uma amostra grátis da alegria gratuita do querido Barreto.

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